maio 24, 2011

Vá de férias, se conseguir...

Depois do título, surge aquele risinho parvo tipo bruxa má... e o resto do texto: A verdade é que até para estar de férias é preciso ter sorte. Acho mesmo que a varicela não foi mais do que um sinal divino. Na verdade, Deus queria dizer-nos para ficarmos em casa sossegados, até porque deve achar que por passarmos tão pouco tempo no nosso "lar doce lar" diariamente, uma semana inteira a olhar para as nossas próprias paredes poderia ser considerado férias. Só que Deus escreveu isso tudo em morse, escarrapachadinho na cara da nossa filha (o nosso filho não tem ainda espaço para tanto texto, de pequeno que é), e nós não somos bons em códigos tão específicos. Por isso lá viemos. E a viagem não correu mal (ao menos isso). Chegadinhos ao destino, recebe-nos um senhor sorridente mas em evidente sofrimento ocular - a prova lacrimal de que a Primavera é uma estação do ano feliz, mas não para toda a gente.
Aquele entusiasmo todo era para nos dizer que tínhamos dois apartamentos fantásticos no primeiro andar. Como? Parece que há mais alguém que não se dá com códigos específicos: eu pedi dois apartamentos, ao lado um do outro, no rés-do-chão, virados para a piscina (que a malta é gente fina). Não tem? Como não tem? Disseram-me que sim, em FEVEREIRO QUANDO MARQUEI AS FÉRIAS. Ah a colega foi despedida (até consigo imaginar porquê) e não deixou indicação nenhuma... Então temos de ficar no primeiro andar? E só um apartamento tem vista para a piscina? Isso significa que... não são ao lado um do outro. Nem perto. OK. São na mesma localidade pelo menos? Ah, no mesmo Hotel. Porreiro pá. O senhor desfez-se em desculpas e lá foi dizendo que até havia um rés-do-chão mas os senhores que lá estavam foram para a praia de manhã e esqueceram-se de regressar a tempo para sair antes das 11.00 horas e agora a senhora da limpeza já tinha ido embora. Amanhã logo se vê. Como é que eu posso dizer o que me vai na alma? Só me ocorre que vida de pobre é lixada. Ao menos o apartamento é bom? Para responder a isto cá vai: já vi melhor em plástico. A janela do quarto não fecha. O "aplique" do hall, para além de ser piroso, está a cair de maduro. A porta do congelador salta de cada vez que a abrimos. E last but not least, a chave ficou encravada na fechadura quando íamos a sair para a praia. Chegámos lá à hora de vir embora, porque entretanto a boa da Mada colocou cirurgicamente uma pedrinha de alcatrão na ranhura do cinto de segurança da sua própria cadeirinha o que inviabilizou o arranque do veículo em que nos transportamos até a situação estar resolvida. Valeram as mãozinhas de fada do meu marido que fez tudo sob o olhar atento de um "simpático" pitbull que reside no quintal da moradia em frente.
E depois de tudo, já nem valia a pena reclamar porque a recepção fecha às 20.00 horas e quando voltámos a pôr os pés neste fantástico resort algarvio, o senhor das remelas já tinha ido para o aconchego do lar. Volta a amanhã para nos dar um quarto novo (ou talvez não tanto).
E cá estamos nós, família dividida... Quatro para um lado, três para o outro. Pior para os restantes residentes, assim têm de levar connosco em duas frentes distintas e garanto que não é fácil. Aliás, de cada vez que nos juntamos e os três putos desatam a "pôr cá para fora" só penso que até para ter férias é preciso ter sorte. Se não vejamos: por aqui só há "bifes" e alemães... Ora mete-se um gajo num avião, paga uma pipa de massa para ir descansar durante uma semana para Portugal e leva com sete bacanos que engoliram um sistema de som inteirinho no apartamento ao lado... O pior que vejo nisto tudo, é que depois desta experiência poderão não voltar e nós temos uma dívida "importante" para pagar ao "FEMI"... Ora eu que só queria tirar férias, vejo-me metida entre uma crise diplomática e outra financeira. Não se faz!

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