Por mais que saibamos que a vida é um jogo perdido, sempre, no sentido em que ninguém finta a morte, jamais, há coisas que não fazem sentido. E seguramente não faz sentido ouvir da morte de alguém jovem e ao invés de pensar que partiu muito cedo, acabar a pensar como terá conseguido resistir até aos 27 anos. Foi assim com Winehouse. O jogo da vida jogado por Amy Winehouse era tão dramaticamente perigoso, que o seu desaparecimento não causa estranheza, não choca, na medida em que não surpreende.
Amy cantou o amor, o sexo... cantou a vida, a sua vida, e cantou a morte, a sua morte. Fê-lo de cada vez que entoou palavras como drogas ou reabilitação e a forma como sempre recusou lutar genuinamente... Amy assumiu algumas batalhas mas com a escassa convicção de quem na verdade não acredita ou talvez sequer deseje deixar de viver cada dia como se fosse o último - quase que forçando cada dia a ser o último - e invariavelmente acabou sempre no limiar da vida. Até ao dia em que o seu corpo desistiu. O último dia chegou. Amy partiu. As lágrimas, essas, secarão por si próprias... Fica o seu talento marcado numa voz única e inesquecível. Fica também a imagem que quisermos guardar de Amy. Para mim, quer a música, quer a imagem, estão escolhidas... como se Amy tivesse sempre permanecido assim...

"Amy, Amy, Amy"... Do primeiro álbum, AQUI.
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