outubro 12, 2011

Falar a sério #3: Mãe de amor…


O seu coração de mãe começou a bater mais forte quando apareceu a imagem no monitor do aparelho de ecografias. Ainda que ampliado muitas vezes, não passava de um pequeno ponto que piscava a uma velocidade considerável. A médica lá foi explicando que se tratava de um coração que batia. Teria apenas 8 ou 9 semanas de uma existência a que faz questão de chamar vida. As lágrimas encheram-lhe os olhos e foi preciso fazer algum esforço para que não escorregassem pelo rosto. Não estava triste. Pelo contrário. Era o coração do seu bebé que batia. Apesar da emoção, conseguiu conter as lágrimas. Escondeu-as atrás de um sorriso desajeitado. Parecia-lhe que naquele momento ficava mal começar a chorar por causa de um ponto. E era mínimo aquele ponto.

Depois, foi assistir ao delinear do corpo do seu bebé. E senti-lo mexer. Esperar ansiosamente pela passagem do tempo para lhe apreciar as feições.

Desde aquele dia, em que viu pela primeira vez o ponto que piscava no seu ventre sentiu que o seu coração de mãe ganhara uma nova forma de bater. Batia agora de forma mais intensa, mais quente, mas também mais temerosa.

Até que chegou o dia que mais desejava. O medo e a ansiedade apertavam-lhe o peito ao ponto de pensar que sucumbiria. Em pouco tempo, Maria estava deitada sobre o seu corpo. Tocou-lhe, hesitante. Se tivesse de escolher algumas coisas para recordar para sempre, uma seria certamente o toque da pele da sua filha no momento em que nasceu. Outra, a forma como a pequena mão de Maria apertava a sua. Já se tivesse que escolher algo para esquecer, seria a profunda tristeza do momento em que deixou de amamentar… e o vazio que sentiu no seu corpo quando Maria veio ao Mundo. Como se lhe tivessem arrancado um pedaço de si, literalmente.

Nem todas as sensações se repetiram da segunda vez… A energia do filho nascido retira da barriga que cresce muitas das atenções dedicadas à primeira gravidez… Já o amor de mãe, não se divide… multiplica-se tantas vezes quantos os filhos que tem. Como se multiplicam a ansiedade, o medo, a angústia de não saber como protegê-los para sempre. E as dúvidas. Uma mãe tem sempre dúvidas. Faz sempre tudo pelo melhor, mas teme sempre que esteja a fazê-lo da pior forma… O seu desejo é apenas um: que os filhos tenham dentro de si tudo o que precisam para viverem felizes sempre, em cada momento das suas vidas, sem excepções. Se pelo caminho reconhecerem que essa riqueza que têm nasceu também do amor da sua mãe… ah isso seria perfeito.

Hoje, quando olha para as suas crias, pensa como pode ser possível amá-las ainda mais do que ontem. Não há medida para este amor. Enche o peito. Enche a alma de uma forma que não se estima, não se apura, não se explica. Hoje, se lhe pedissem para escrever umas linhas sobre o amor de mãe, contaria a história do dia em que nasceu mais uma mãe de amor…



By éSe

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