Não gosto particularmente de circo... Sobretudo por causa dos animais. Já assisti a vários espectáculos de várias companhias e continuo sem perceber a lógica dos números com animais.
Uau. Que cena gira. Dois cavalos que dançam uma espécie de valsa para coxos... É certo que o fazem melhor do que muitos pares de noivos que já vi em casórios para os quais fui convidada, mas daí a encher uma tenda com milhares de pessoas a bater palmas de forma frenética, vai uma grande distância. Ou o "espectacular número" dos cães a pilhas que conseguem dar três passos em duas patas... Isso também a minha cadela faz todos os dias. Basta acenar-lhe com uma bolacha Maria e ela até balbucia algo parecido com "manda outra". E apesar de ser uma patuda loira e jeitosa, não a mando ter com o senhor Chen para a pôr a render uns trocos num número de circo.
Acho os números de circo com animais profundamente... parvos. Assim como o argumento de que os animais até são muito bem tratados. Dão-lhes festinhas, água e comida (os que dão), mas deixam-nos a viver em jaulas, percorrendo com eles quilómetros atrás de quilómetros para os obrigar a fazer figura de idiotas em público. Por isso, dificilmente pagaria para ir ao circo. Mas como se convencionou que as crianças gostam de circo e porque todos os anos, no Natal, certa empresa faz a festa de Natal no circo do Victor Hugo Cardinali, oferecendo bilhetes, lá vou eu, religiosamente, há três anos, a um espectáculo de circo com os putos.
Descansem os mais puristas porque também acho que o facto de levar os meus filhos ao circo não vai fazer com que eles tenham menos respeito pelos animais... até porque também eu fui muitas vezes ao circo e ainda hoje bato palmas de cada vez que se anuncia o fim da utilização dos animais de quatro patas para entretenimento de animais de duas. O circo tem muito mais do que os números com animais. E apesar de ser uma manhã de sacrifício para mim, a verdade é que há números de que gosto.
Vá, com excepção dos palhaços. Também não vou à bola com palhaços. Acho que de uma forma geral têm pouca graça. Fora do circo já conheci palhaços com muito mais piada.
Nem curto ilusionismo. Nem homens que cospem fogo. Mas gosto de acrobatas, ginastas, contorcionistas... Ou gostava. Porque desta vez, e pela primeira vez, vi o circo com os olhos de uma mãe que ali perdeu toda a sua autoridade. Se não vejamos:
- Digo aos meus filhos que não se brinca com facas porque se magoam, mas depois, levo-os ao circo onde a senhora que abaixo se apresenta...
... enfiou uma amiga na caixa e cortou-a ao meio com uma roda serrada!
- Digo aos meus filhos que não podem subir às cadeiras, mas levo-os ao circo onde um jovem rapaz...
... empilhou várias em cima de quatro garrafas e pôs-se a fazer posições esquisitas!
- Digo aos meus filhos que não devem saltar em cima da cama, mas depois levo-os aos circo onde um cavalheiro...
faz vinte mortais numa cama elástica!
- Digo aos meus filhos que não devem brincar às escondidas nos cortinados da sala, mas depois levo-os ao circo, onde uma jeitosa...
... se pendura neles e estica e mexe e põe e tira...
No final do espectáculo, com a autoridade em baixo, só pensava para mim mesmo o que dizer sobre as armas e os canhões (daqueles que vêm também referidos no Hino Nacional): digo-lhes que são perigosos e matam, a não ser que, como viram no circo, as pessoas saiam de dentro deles...
... como a "mulher bala"?





2 comentários:
heheheheh também la estive, ainda por cima a mulher bala cheira mal!!!
éSe: Não me digas que levaste com ela em cima? Até aposto que cheirava a bosta de elefante...
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